Ministro apresenta ferramentas para melhorar a gestão pública

Em encontro com gestores eleitos e reeleitos em outubro de 2016, Gilberto Kassab falou sobre o programa Cidades Inteligentes e a parceria com o Ministério da Saúde para integrar o Sistema Único de Saúde.

15/12/2016 12h01 - Por: MCTI

Ministro apresenta ferramentas para melhorar a gestão pública

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, se reuniu nesta segunda-feira (12) com prefeitos eleitos em Minas Gerais em outubro de 2016.

No encontro organizado pela Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Centro Oeste (Ameco) em Pará de Minas, o ministro falou sobre o programa Cidades Inteligentes, que tem o objetivo de modernizar a gestão pública, ampliar o acesso da população à internet e apoiar o desenvolvimento das pequenas cidades do interior do país.


Kassab também falou sobre a parceria com o Ministério da Saúde para integrar o Sistema Único de Saúde por meio de novas soluções de tecnologias da informação e comunicação (TICs). "Estamos abertos aos novos prefeitos e aos prefeitos reeleitos tanto na implantação do programa Cidades Inteligentes quanto na melhoria da gestão da saúde pública por meio de ferramentas tecnológicas que estamos desenvolvendo em parceria com o Ministério da Saúde para integrar o SUS em todo o Brasil", afirmou.


O ministro disse ainda que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) também vai contribuir para a democratização do acesso à internet nos municípios brasileiros. Com previsão de lançamento para 21 de março de 2017, o equipamento vai levar internet banda larga para as áreas remotas do país.
Cerca de 150 pessoas acompanharam o discurso de Kassab em Pará de Minas. Ele já havia participado, em 28 de novembro, do Encontro dos Prefeitos Eleitos do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, em Uberaba (MG), que reuniu 70 gestores.

O que já tem por aí

Projeto de Cidade Inteligente começa com internet wi-fi gratuita no Pelô, em Salvador

Objetivo da prefeitura é usar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para facilitar a vida dos moradores


Você está andando em uma rua com pouca iluminação, à noite. De repente, ao se aproximar de um poste, a intensidade da luz aumenta, como se o poste tivesse notado a sua presença – e notou mesmo! Já no carro, você se depara com um semáforo que é capaz de analisar o fluxo de veículos e regular o tempo de espera no sinal vermelho. Parece filme futurista?

De fato, a realidade das cidades inteligentes ainda é um pouco distante do dia a dia nas cidades brasileiras. Mas, a partir de 2017, Salvador pretende dar um grande passo para mudar isso. No ano que vem, a prefeitura vai implementar o projeto Salvador Inteligente, que pretende usar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para facilitar a vida dos moradores.

As medidas incluem desde uma plataforma online e também em aplicativo para smartphones para as pessoas contatarem os serviços da prefeitura, além da expansão da rede de transmissão de dados. A primeira consequência direta do projeto já poderá ser observada nos primeiros meses de 2017, quando Salvador tiver a primeira rede de internet sem fio (wi-fi) pública, no Pelourinho.

Segundo o presidente da Companhia de Governança Eletrônica de Salvador (Cogel), Eduardo Merlin, o objetivo do Salvador Inteligente é aumentar a capacidade de ouvir os moradores – de uma forma ativa. “A gente já ampliou todos os canais e tem uma boa capacidade de atendimento com o (telefone) 156, tem as questões de mídia, as prefeituras-bairro... Ampliamos a capacidade de ouvi-los, mas ainda esperamos que ele venha até nós”, diz.

Cidade Digital

Mas, para que a capital se torne uma cidade inteligente de verdade, é preciso, primeiro, que ela seja digital. O caminho para conseguir isso já foi traçado: o primeiro passo é expandir a rede de fibra ótica (uma tecnologia que permite a transmissão de dados em altas velocidades) – a Infovia de Salvador.

“Por essa rede, passa a informação de câmeras, de controladores de tráfego medindo o fluxo de veículos e mandando essa informação em tempo real para a Transalvador, por exemplo”, cita. Hoje, a Infovia tem cerca de 150 km de extensão – basicamente, ela vai da região do aeroporto, segue pela Orla Atlântica até a Barra e, de lá, ao Centro Histórico. Isso equivale a cerca de um terço do território da cidade. A meta da prefeitura é chegar a 375 km de extensão em até dois anos e meio.

É como se a Infovia fosse uma rua. Para que pessoas e automóveis transitem na rua, ela precisa ser estruturada e pavimentada. No caso da rede de fibra ótica, é preciso que ela exista para garantir sinal de wi-fi público no futuro. Segundo o presidente da Cogel, a meta da prefeitura é chegar a 100% de cobertura com wi-fi gratuito – mas esse projeto deve ser concluído em até cinco anos.

“Não adianta, de repente, lançar um aplicativo e não ter conectividade na cidade. Quando você amplia o sinal de wi-fi e libera ele para o cidadão, está ampliando a possibilidade de ele estar em contato com a prefeitura. Senão, vai estar elitizando o acesso para onde tem cobertura. Hoje, temos quase a totalidade dos ativos da prefeitura nas áreas periféricas, mas tem baixa conectividade”, cita.

À medida que a rede de fibra ótica for sendo ampliada, ela poderá ser usada. “Assim como a rua, se você tem uma rodovia de 2 km e já asfaltou 500 m, você pode usar esse trecho”, explica Merlin. O Pelourinho foi o primeiro local escolhido para receber o sinal de internet porque a região passa por um processo de revitalização.

Só que a ideia é ir bem além de disponibilizar wi-fi: a ideia é que as pessoas possam até marcar consultas com médicos especialistas através da plataforma do programa. “Vão poder também indicar a necessidade de uma operação tapa-buraco em alguma rua, poda de árvore, reportar algum poste com luz queimada. E vai poder acompanhar o andamento da demanda”. Tanto o site quanto o app devem ser lançados no próximo ano.

Tempo real
Além da expansão da Infovia, o Salvador Inteligente inclui a ampliação de um Data Center (central de dados), que vai analisar e processar todas as informações que chegarem por meio da rede de fibra ótica. “Toda informação que chega é informação demais para um ser humano sozinho analisar. Teremos softwares que recebem essa informação, analisam e já devolvem processada para o município em tempo real”, afirma.

Um exemplo de como isso pode ser feito é através da Defesa Civil e dos sistemas de alerta e alarme e dos pluviômetros já instalados na cidade – eles podem ser decodificados e imediatamente notificar qualquer situação anormal. “Mas também podem ser provas de educação online, dados dos prontuários de saúde e do próprio movimento nos postos de saúde. Ações dos grandes eventos de Salvador, como o Carnaval, podem ser beneficiadas porque teremos informações em tempo real para tomar decisões, ver onde precisa de reforço”, diz.

Rede segura
Assim, será instituído o que eles estão chamando de Observatório da Cidade – que não necessariamente significa uma sede física, mas um acompanhamento constante. Por fim, o terceiro ponto do Salvador Inteligente é a garantia de segurança na rede. “Precisamos garantir não só a segurança das informações do cidadão, mas também evitar que intrusos coletem dados ou que utilizem a rede da prefeitura para fazer algum ataque. Vamos trabalhar com protocolos de criptografia e sistema de controle de ataque de hackers”, assegura Merlin.

O investimento no projeto pode chegar a US$ 25 milhões. Na última quarta-feira, uma comissão da prefeitura se reuniu com representantes do Banco de Desenvolvimento da América Latina, em Brasília, para captar recursos. O prazo para a confirmação da liberação é abril.

Cidade Inteligente

O que é?
São espaços urbanos onde funcionam projetos de uso intensivo de tecnologias de comunicação e informação que ajudam a tornar a gestão pública e ações de interesse social e econômico mais fáceis, por meio de uma rede de transmissão de dados ampla e eficaz.

Esses projetos agregam três áreas principais: Internet das Coisas (objetos com capacidades de informar e comunicar os usuários), Big Data (processamento e análise de grandes quantidades de informação) e Governança Algorítmica (gestão e planejamento com base em ações construídas por algoritmos aplicados à vida na cidade). Resumindo, as cidades inteligentes buscam soluções tecnológicas para melhorar as condições de vida da população.

Como funciona na prática?
As aplicações são bastante diversas. A ideia é que as ferramentas ajudem a encontrar soluções ou dar celeridade para coisas do dia a dia, a exemplo do trânsito, do acesso à saúde ou a serviços da prefeitura. Numa cidade inteligente, por exemplo, há câmeras que preveem engarrafamentos, ou alertam sobre acidentes, desviando a rota dos carros; aplicativos de celular que permitem informar algum problema na rua, como buracos, iluminação, som alto etc.

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